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“Desde a sua fundação que a Fundação Champalimaud é um mistério. Um mistério dissolvido na dispersão dos mentores e conselheiros, e um mistério nos objectivos, que vão da intervenção humanitária a projectos de neurociências e de investigação científica de “áreas de ponta”, sem que se perceba com rigor para que serve a instituição.
Não ponho em causa a competência de Leonor Beleza, e acho formidável que a Fundação queira prestar atenção ao cancro e às metástases e fundar um programa e um centro de intervenção nessa área; por estes dias, organiza um Simpósio que põe a caminho de Lisboa não sei quantos “génios” da investigação médica. Da ilustre lista de oradores não consta um português. São projectos da Fundação e modos de a gerir. Privados, privadíssimos. A ligação da Fundação a Portugal será o que a Fundação quiser. O que não devia ser o que a Fundação quiser é o modo como o Governo ofereceu à Fundação mais um bocado de rio, roubado aos lisboetas e aos portugueses, na zona de Pedrouços. 60 mil metros quadrados.”
“Vista para o rio têm todos eles, nos seus magníficos postos de trabalho e padecimento, nós é que deixamos de ter vista para o rio. A não ser que a necessidade nos arraste para um refeitório médico ou para um colóquio (fechado) sobre oncologia. Ou que a Fundação queira imitar a Gulbenkian (obviamente, não pode). “Os edifícios estão dispostos de forma a criar uma via pedonal de 125 metros que atravessa diagonalmente o terreno em direcção ao mar, e, simbolicamente, do ‘desconhecido’”. Este caminho tem “uma suave rampa ascendente em direcção ao rio de tal maneira que na sua subida se vê unicamente o céu.”